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Acessibilidade na cultura em período de pandemia e pós pandemia.

Acessibilidade na cultura em período de pandemia e pós pandemia.

A questão da acessibilidade de pessoas com deficiência visual, auditiva e cadeirantes, se apresenta como mais um desafio agravado pela pandemia do novo coronavírus.

Uma pessoa com deficiência visual utiliza o toque para se situar espacialmente, para se locomover com o uso de bengala e mesmo para acessar informações em mapas táteis em braile e legendas em alto contraste. 

Uma pessoa cadeirante vai precisar tocar sua cadeira várias vezes usando as mãos, assim como usará os banheiros, precisando se apoiar em barras e base do vaso sanitário. 

Algumas pessoas com autismo podem ter problemas ao usar máscaras devido à rejeição sensorial e por fim, as pessoas com deficiência auditiva podem ter grande dificuldade de fazer a leitura labial ao conversar com uma pessoa utilizando uma máscara não transparente.

Enquanto os aparelhos culturais se mantiverem fechados ao público é preciso ter atenção às necessidades dessas pessoas. Migrar para o online vem sendo a medida mais aplicada na oferta de conteúdo cultural no período de isolamento, mas o que estamos fazendo pela acessibilidade nesse formato?

No cenário ideal, sites e redes sociais precisam ter imagens com descrições, as lives, intérprete de libras e legendas para surdos oralizados por exemplo. A questão da acessibilidade precisa ser tratada como fundamental na promoção da cultura.

No processo de retomado ao novo normal os desafio são ainda mais significativos. Com a obrigatoriedade de uso de máscaras e a redução de itens de uso coletivo, ferramentas como a leitura labial e as placas com textos em braile precisam ser repensadas.

Algumas medidas já estão sendo estudadas como a distribuição de fones de ouvido individuais para o acesso a vídeos de audiodescrição, a confecção de folhetos descartáveis em braile ou um informativo que tenha o plástico como suporte, permitindo a higienização a cada uso.

De forma geral, o maior desafio é não afastar as pessoas com e sem deficiência destes ambientes a médio prazo mantendo as estratégias de prevenção em saúde e segurança do usuário. 

A atuação das equipes envolvidas no processo de recepção na retomada fará toda a diferença entre uma orientação fria e uma correta abordagem educativa. Não podemos retroceder nas conquistas já realizadas quanto à presença de públicos com e sem deficiências em espaços de promoção de cultura.

O retorno das atividades de museus, espaços culturais e afins será parte de um processo de recuperação sensível da sociedade, após o difícil período da pandemia, nos auxiliando a elaborar o tempo de isolamento social, o luto pelas experiências dolorosas e a reencontrar sentidos e sensações das quais estamos parcialmente privados no momento.

Esses espaços precisam voltar a funcionar, no tempo devido, salientando em nós um modo mais comunitário de trabalho que não deixe ninguém de fora, literalmente. Afastando de vez a perspectiva ultrapassada na qual os indivíduos são julgados e subjugados pela sua característica física, sensorial, intelectual ou mental antes de poderem ter autonomia para falar por si mesmas.

As pessoas com deficiência devem participar da retomada, sendo convidadas a incorporar as ações nos espaços de cultura. A saúde como bem comum passa pela reconexão com estes fatores de ordem simbólica, afetiva e cultural, e estes ambientes são também espaços de manifestação e de troca e formação social. 

Por |2020-07-30T12:02:47-03:0027 julho 2020|Desafios da Cultura|0 Comentários

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