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Arte Acessível e Diversidade de Público

Arte Acessível e Diversidade de Público

A arte é expressão e também cultura. Capacita o indivíduo a interpretar ideias através de diferentes linguagens e formas além de representar e disseminar o conhecimento da história, a trajetória de grandes personalidades e a importância desses movimentos. 

Em seu repertório: dança, teatro, música, artes visuais, artes plásticas, literatura, dentre tantas outras. Seu uso colabora com a formação do pensamento, da imaginação, da percepção e da sensibilidade. 

A questão, porém, é que nem todos os cidadãos têm acesso à arte de maneira completa. Em nosso país, as pessoas com deficiência são privadas de apreciar ou praticar diversas atividades artísticas porque poucas instituições ou órgãos se preocupam com a acessibilidade dessas pessoas.

Entende-se pessoas com deficiência, aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. Segundo dados do IBGE 24% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência. 

Na legislação nacional, os direitos das pessoas com deficiência física estão, a princípio, garantidos: “Condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida.” Para mais dados clique aqui.

Porém, mesmo para quem não é deficiente o acesso à cultura no Brasil é limitador. Seis em cada dez brasileiros nunca assistiram a uma peça teatral, segundo um levantamento feito pelo Sesc e pela Fundação Perseu Abramo. O estudo revela também que 89% das pessoas que responderam à pesquisa nunca foram a um concerto de ópera ou música clássica, 75% a um espetáculo de dança e 71% a exposições de pintura e esculturas em museus.

Quando se trata de pessoas com deficiência, a situação se agrava. A falta de acessibilidade em instituições culturais e a fragilidade financeira de pessoas com deficiência são alguns dos fatores que impossibilitam o contato delas com o universo artístico. 

Entre tantos papéis sociais, a arte também tem a função de incluir. Cabe aos equipamentos culturais, então, se munir de ferramentas para viabilizar o acesso à arte e não só construir rampas e salas mais amplas para cadeirantes, mas também investir em tradutores de libras para deficientes auditivos e, para os deficientes visuais, o sistema braille e a audiodescrição.

É longo o caminho de adaptação das instituições e a escassez de produções artísticas e culturais acessíveis gera um estado de exclusão social das pessoas com deficiência que é difícil de ser compensado. 

Não podemos limitar a construção desses sujeitos, tolir as possibilidades de conhecimento e fruição e agravar a sensação de exclusão e de isolamento social desses brasileiros. 

A arte deve ser responsável pela abertura de um diálogo com a população, aproximando as pessoas das discussões que as obras propõem em um ambiente bem desenvolvido, que deve atender a todo tipo de usuário compreendendo a realidade de pessoas com deficiência.

O lugar de cultura deve promover a inclusão através da união de espaços, entornos e conteúdos acessíveis a todos os visitantes, independente de suas capacidades e sem separar as pessoas com algum tipo de deficiência das demais.

Muitas das iniciativas motivadas por contemplar acessibilidade beneficiam também ao resto do público por trabalhar com diferentes sentidos e formas de usufruir dos espaços e obras.

Apesar da jornada ainda ser longa, já temos bons exemplos de práticas mais acessíveis. O projeto Literatura Acessível por exemplo, tem foco na diversidade.

Contempla 4 histórias de outras 6 que ainda estão por vir, totalizando um box de 10 divertidas e conscientes trajetórias de vidas de pessoas com algum tipo de deficiência que se reinventam através do esporte, da educação e da cultura. 

São percursos que revelam o preconceito, a discriminação e ressignificação de identidade social de pessoas que vivem diante de uma sociedade excludente e se superam diante das adversidades da vida e de um cotidiano da barbárie do preconceito instalado na sociedade em que vivemos.

Os livros são paradidáticos e pensados para o público infanto-juvenil. Com a perspectiva de pluralismo de ideias, de forma lúdica e leve, o projeto aborda temas como: inclusão, empoderamento feminino, educação para emancipação, multilinguismo, refugiados, acessibilidade, respeito ao próximo, entre outros que envolvem uma pedagogia de diálogos.

Esse é o caminho da Arte, incluir, desenvolver e transformar.

Por |2020-05-15T17:21:46-03:0015 maio 2020|Uncategorized|0 Comentários

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