03.07.2014
Cursos técnicos gratuitos, de excelência internacional, serão oferecidos no Theatro Municipal do Rio.

Nos meses de agosto e setembro, o Theatro Municipal recebe profissionais da Academia de Teatro Alla Escala, de millão, que irão ministrar cursos técnicos gratuitos. Os interessados podem escolher entre   pintura artística em telões, música para direção de cena, Maya Software (3D), maquiagem e efeitos especiais, operador de luz e produção.

 

Os locais de aula variam de acordo com o curso, e outros espaços além das salas do Theatro Municipal serão utilizados. As aulas de Pintura Artística em Telões, com o cenógrafo italiano Roberto Lucidi, será ministrado na Central Técnica de Produção do Theatro Municipal, em Inhaúma. Haverá também aulas de animação e efeitos especiais com 3D Maya – Software, na Escola Spectaculul. E o iluminador italiano Andrea Burgaretta dará o curso de Operador de Luz, na Casa de Cultura Laura Alvim.

 

Haverá sistema de transporte por van, a partir do TMRJ. As inscrições devem ser feitas através do email educativo@theatromunicipal.rj.gov.br, o candidato preencherá uma ficha e terá que enviar o currículo para se analisado. Algumas aulas se iniciam no próximo dia 22.

 


Esse conteúdo foi originalmente publicado pelo site Catraca Livre

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02.07.2014
'Encontros Vocais' volta em julho na Sala Baden.

A série 'Encontros Vocais' surgiu com a intenção de movimentar a cena vocal/coral carioca e apresentar uma oportunidade aos cantores, regentes, corais e grupos vocais de mostrarem o seu trabalho para o grande público, tornando a Sala Baden Powell um reduto para a música vocal.

A Série acontece sempre no último final de semana de cada mês e tem a concepção e curadoria do maestro Jonas Hammar (regente do Grupo de Coro Cênico EmBandoCanto).

Os ingressos terão o preço promocional de R$5,00, com o objetivo de democratizar o acesso a cultura.

Confira a programação no e-flyer do evento.

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11.12.2013
Edital de Intercâmbio Cultural do Minc

Está aberto até o dia 20 de dezembro o prazo de inscrições para os candidatos que desejam participar do Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura (MinC), para viagens no mês de fevereiro de 2014.
O edital apoia, com ajuda de custos, viagens nacionais ou internacionais de artistas, pesquisadores, técnicos e agentes culturais, Mestres e Mestras da Cultura Popular para participar de eventos culturais promovidos por instituições brasileiras ou estrangeiras.
O apoio do MinC visa a difusão da cultura nacional e a capacitação de artistas e agentes culturais brasileiros. A partir desta edição, as exigências contratuais para participar do intercâmbio estão mais acessíveis, após a reformulação do edital. Os candidatos podem inscrever suas propostas em dois eixos: Difusão Cultural ou Formulação, Pesquisa e Capacitação.
Podem participar pessoas físicas ou grupos culturais não constituídos juridicamente. O valor total do apoio financeiro para as viagens nos meses de janeiro, fevereiro e março é de R$ 1,650 milhão, dividido em parcelas de R$ 550 mil para cada mês.

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02.12.2013
Projeto Pirandello Contemporâneo apresenta: FANTASMAS, uma peça game

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07.11.2013
S4T ENTREVISTA TATÁ AEROPLANO

Músico, compositor, dj e agitador cultural, Tatá Aeroplano trouxe sua poesia urbana desvairada para fechar nosso primeiro eixo do S4T. Vocalista das bandas Cérebro Eletrônico, Jumbo Elektro e Zeroum, Tatá apresentou o seu primeiro álbum solo repleto de versos intensos inspirados pela boemia da noite paulista.

 Confira a entrevista que ele nos concedeu:

 

  • Você traz na sua bagagem experiências com a “Cérebro Eletrônico”, Jumbo Elektro, além de fazer parte da construção da cena musical independente de São Paulo. Enfim, a sua música parece nascer de muitos encontros, de projetos coletivos, o que te motivou a finalmente assinar um trabalho solo?

 

Eu comecei a compor cada vez mais canções confessionais que tinham muito a ver com meu rolê, minha vida e tal. Eu considero que amadureci como compositor e na verdade foi uma coisa que me abriu uma série de novos encontros e amizades. Meu primeiro trabalho foi produzido pelo Dustan Gallas e Junior Boca e foi gravado pelo Bruno Buarque no estúdio Minduca. Foi um encontro incrível e que me trouxe imensas alegrias. Esse ano mesmo, 2013, trabalhei bastante junto com o Junior Boca, nós assinamos a trilha Sonora do longa “De Menor” da Caru Alves e produzimos juntos o disco do músico e compositor Juliano Gauche. Agora no fim do ano vamos gravar meu segundo disco no estúdio Minduca. A motivação mesmo de fazer esse disco era de me encontrar nas canções que eu vinha compondo, o que aconteceu de uma maneira transcendental e me possibilitou pirar com o disco novo do Cérebro Eletrônico.

 

 

  • Você chegou a participar e a frequentar a cena nos anos 90. O que você acha que mais mudou no perfil do público que busca músicas novas? Na sua opinião, esse nova geração de artistas que faz uma música sem muitos rótulos, que se emancipa após a crise da indústria fonográfica, acaba encontrando novas dificuldades, como por exemplo, uma comunicação mais direta com a juventude no geral?

 

Essa é uma ótima pergunta. Eu vivi bastante a cena nos anos 90. Cheguei em sampa em 93 e acabei vendo alguns shows no Aeroanta. Vi Raimundos, Muzzarelas, Mikey Junkies. Tudo isso numa época em que o Nick Cave morava na cidade e foi quando eu conheci a obra dele. Eu tinha uma amiga muito querida na faculdade que me colocava a par do que rolava na cidade e na música do mundo. Ela me trouxe Leornard Cohen, o próprio Nick Cave, o Nick Drake, Mutantes foi tudo ela que me apresentou. Ai eu comecei a viver a cidade, rolou o Chico Scienci, Mundo Livre. O Manguebeat e a música de Recife é o grande lance dos anos noventa. Ainda existia a indústria fonográfica. Rolou o selo Banguela que lançou Raimundos, Little Quail, etc .. e no fim dos noventa a Trama que também lançou coisa boa pra cacete. Otto, Jupiter Apple … aliás Jupiter Maçã que lançou o fantástico disco a sétima efervescência e que fez a cabeça de muita gente que começou nos anos 2000.

 

Do fim dos noventa para 2013 muita coisa mudou. A indústria fonográfica deixou de reinar e o mercado da música mudou radicalmente. Mas para quem faz música e não faz concessões, a coisa hoje começa a funcionar muito bem. Eu sempre fiquei esperto com o lance do mercado independente, nunca amarrei minha corda totalmente com ninguém, seja com selo, com distribuidora, o que quer que seja. Aprendi muito com os lançamentos que fiz em parceria com o selo Phonobase do Juliano Polimeno, ele foi um dos caras mais visionários e me fez abrir os olhos pruma série de coisas quando lançamos o “Pareço Moderno” em 2008!

 

Já em 2011 eu percebi que o caminho seria lançar discos sem selos, porque financeiramente prum selo se manter é cruel, já pra banda não é tanto. Na real se a banda lança disco, faz shows e tals … uma parte da grana volta pro selo mas é muito pouco, e o selo, pequena gravadora não tem muito do que tirar dinheiro, acaba que muitos pontos ficam soltos nessa relação banda e selo. Foi ai que saquei que a banda como banda era autosuficinente e que nenhum integrante vai viver da banda, cada tem que correr atrás do seu pra deixar o lance do grupo da banda sempre leve.

 

Quando lancei meu disco solo fiz um site e passei a me comunicar com meu público diretamente. Ou seja, quem baixa o disco, preenche um cadastro com nome, cidade e se quer receber notícias … quem compra o disco, cai no meu gmail que acesso diretamente do meu telefone. Vendo o disco, depositam na minha conta e eu despacho pelo correiro. A partir dessa experiência de vender os discos no site e ter o mailing dos downloads. Percebi que grande parte do meu público são jovens do país inteiro. O mesmo perfil de jovem que eu fui no interior de Bragança quando vivia grudado no radio tentando gravar uma música que eu tinha me amarrado e descobrindo coisa nova … frequentando a loja de disco pra ver se alguém indicava algo.

 

Enfim com essa organização: site, distribuição e contato direto com o público me fez entender que hoje rola sim de você estabelecer uma comunicação direta com o público, e o melhor, que esse público vem aumentando a cada ano e é um lance totalmente real, boca a boca, sem  mecanismos fakes armados por gente dos busnisses music. Isso é fantástico, toda a banda tem que ter um site, um local onde o cara que curta a música possa falar contigo. Não estou incluindo o Facebook ai, porque o face é negócio … banda que só tiver feice .. uma hora dança. .. mas está rolando  e tá ficando legal mesmo.

 

 

  • A cena de Sp abre muito espaço para novos artistas independentes?

 

São Paulo é uma cidade aberta e feita principalmente por quem chega de fora. Eu vim do interior de São Paulo. No Cérebro três integrantes vieram do interior. Dustan e Boca são do Ceará. Muitas bandas de outras cidades estão em Sampa agora. Creio que de uns anos pra cá. A música tem encontrado espaços incríveis que abrem espaço para novos artistas independentes. Casa do Mancha. Puxadinho da Praça. Serralheria. Mundo Pensante. Baixo... São casas que estão nessa onda atualmente, onde tocamos e novos artistas podem tocar também. Nesse ponto, vivemos uma época muito interessante porque não tem mais aquela coisa de uma casa grande onde todo mundo quer tocar. Agora são várias casas menores onde se consegue fazer shows e tal, mas que, por exemplo, bilheteria acaba sendo pequena. Então financeiramente é importante sempre equilibrar os shows nas casas noturnas da cidade com SESC e alternativas.

 

 

 

  • Nesse seu álbum homônimo, as músicas nasceram das poesias ou as poesias vieram depois? Como acontece essa química entre a letra e a música no seu processo de criação?

 

Eu componho música e letra ao mesmo tempo. Desde que comecei a tocar violao eu faço isso. É muito espontâneo. Eu componho inspirado nas coisas que vivo, que vejo amigos passarem, o cinema me inspira muito. Por exemplo, compus Cão Sem Dono logo depois que assisti o filme “Cão Sem Dono” do Beto Brant. Fiz “Cão Sem Dono” num dia e dois depois “Sartriana”… Foram músicas emocionantes de compor. Sartriana ainda teve o Leo Cavalcanti como parceiro… Ele apareceu em casa quando estava compondo a música. Foi muita loucura. As músicas nascem quando você está aberto pra receber o universo. É assim que tem funcionado comigo.

 

  • Quais são as influências da sua poesia?

 

Eu leio muito. O tempo inteiro. Vou muito ao cinema e vivo muito a noite discotecando e fazendo show. Essas vivencias misturadas acabam influenciando minha poesia e também os caras que eu mais admiro e que escrevem muito bem: Sérgio Sampaio, Caetano, Jupiter Maçã, Cohen .. Apesar de não sacar inglês, eu consigo entender o que o Leonard Cohen está dizendo e ele é simplesmente um mago, assim como Dylan. Enfim, é muito amor. Palavras, palavras e palavras. Gosto muito das composições do Cidadão Instigado, do Supercordas, Porcas Borboletas, Juliano Gauche, Vanguart, Gustavo Galo, Peri Pane, Luiz Gayotto Gero Camilo. O Junior Boca acabou de lançar um disco lindo com a banda Submarinos. A poesia de toda essa galera me inspira também.

 

  • Você vê glamour na fossa e na decadência da vida boêmia urbana?

 

Não sei se a palavra certa é glamour. Eu me encontro e me realizo na vida boêmia. Já vivi tantas coisas incríveis e continuo vivendo. Eu sou um cara simples. Já passei por períodos aqui na cidade que a grana que eu tinha era tão pouca. Eu tinha largado um trabalho que eu tinha numa Universidade. Vivia a base de café power e pão italiano, fazia meu próprio rango que continuo fazendo porque não gasto dinheiro com quem quer extorquir as pessoas. Restaurantes, padocas e tals.. Tem uns dois restaurantes que eu frequento na cidade. Sujinho é um deles. Mas mesmo assim foi um dos períodos mais sensacionais da minha vida porque eu estava plantando tudo o que está rolando hoje. Estava pela música.

 

Ai na época da dureza total eu lia o Charles Bukowski, o John Fante. Os caras narrando nos livros os perrengues que eu estava vivendo. Mas ai eles vendiam um artigo, uma crônica pruma revista e tals, vinha uma grana e  eles podiam tomar um vinho legal, ir num restaurante legal. Eu sei que dai eu comecei a discotecar, isso antes das bandas começarem a rolar mesmo… Eu fui ganhando meus caches … foi rolando .. de vez em quando eu pegava um cache e ia prum restaurante e gastava uma parte dele. As coisas funcionam assim.

 

Eu acho que pra viver da noite a gente tem que ter sempre em mente muito amor, muita consciência, porque vai ter noite que vai ser insana e você deixa praticamente de ser você, não é sempre que acontece, mas às vezes acontece!  Na maioria das vezes a noite é mágica pra mim. Existem noites que são memoráveis e transcendentais.Pra citar uma que rolou no ano passado depois do show de lançamento do disco do Supercordas no Sesc Belenzinho, rolou uma noite mágica no Mancha, tive um papo incrível com o Leonel Mancha e com o Samurai. São esses momentos que ficam mesmo e talvez a palavra seja vibe mesmo. A vida boêmia contempla tudo, a decadência, a vibe a loucura.

 

  • Qual foi a inspiração para compor a música "Par de tapas que doeu em mim"?

 

Par de Tapas foi um daqueles dias que você deixa de ser você … a inspiração foi a perda de controle total entre duas pessoas perdidas na noite de São Paulo , na Rua Augusta. Até agora não sei como, mas eu compus a música de uma só vez. Peguei o violao e percebi que ia compor uma música, liguei meu gravador e quando me dei conta tinha passado mais de dez minutos. Meu amigo que divide o apê comigo chegou bem na hora que eu terminei a música e pediu pra escutar a gravação …quando escutei vi que tinha feito uma música inspirado numa situação com detalhes sutis e tudo mais … foi louco. Foi conexão com o passado. 

 

 

  • Quais os lugares mais encantadores de São Paulo?

 

Eu sou apaixonado pela cidade e por muitos lugares. O que mais me encanta em São Paulo são as ruas, os pássaros, as entidades urbanas e os cinemas. Adoro andar a pé. Há mais de quinze anos faço trajetos a pé pela city. Isso me encanta muito. Como sempre andei muito pela cidade. Sei de lugares que você pode parar para dar um relax que não são muito frequentados. Ai você descansa um pouco ou dá um tempo para o próximo compromisso. E claro um dos lugares que eu mais frequento na cidade são as salas de cinema. Passo boa parte do meu tempo livre nelas! Os pássaros estão dando um show na cidade. Os sanhaços azuis e uma espécie de sanhaço que não é azul, mas é muito parecido, eles apareceram muito por aqui de uns anos pra cá, onde moro tem duas árvores gigantes na frente e posso dizer que os pássaros tem dados verdadeiros shows diariamente … Espero que com o passar do tempo a cidade volte a ser uma imensa floresta bem no lugar dos novos empreendimentos imobiliários que vem assolando bairros inteiros. Isso é uma coisa inacreditável que acontece em sampa e não me encanta. Quanto as entidades urbanas, como ando muito a pé, conheço figuras sensacionais que vivem na cidade, pessoas que parecem que vieram de outros tempos e dimensões, elas me encantam muito.

 

 

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06.11.2013
S4T ENTREVISTA LUCAS SANTTANA

Após lançar o disco “Sem Nostalgia, eleito pela Jornal Francês Libération como melhor álbum estrangeiro de 2011, Lucas Santtana esteve no palco do Som em 4 tempos apresentando seu novo trabalho “O Deus que Devasta Também Cura”.  O músico, que como instrumentista já colaborou com grandes nomes da música brasileira como Caetano, Marisa Monte e Nação Zumbi, traz nesse novo álbum ilustres parceiras como Kassin, Céu, Rica e Gui Amabis e Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz. Nossa equipe não perdeu tempo e trocou uma boa ideia com cara:

 

  • 13 anos de carreira e você parece estar em plena ascensão. A sua relação com a música é pautada por trabalho ou diversão?

 

É sempre as duas coisas, né?  Lógico que tem a coisa do trabalho, de você querer fazer bem feito, é uma competição enorme e um monte de gente fazendo música. Enfim, tem todo um lado técnico, de ficar super atento no oficio, de tentar não se repetir e fazer música legal e tal. Agora, esse trabalho sempre foi feito com muita diversão, gosto muito do que faço e dou graças a deus por ser músico.

 

  • "Deus devasta mas também cura" é seu 5º disco e uma coisa que chama bastante atenção, além das texturas sonoras, são as letras com cara de crônica que atribuem um valor poético muito grande para seu trabalho. Como é seu processo de composição enquanto letrista? 

 

Então, às vezes vem a música e a letra de uma vez. Uma ideia da letra, do refrão, como se algo dissesse: “é pra falar disso”, sabe? Outras vezes eu quero falar muito sobre uma determinada coisa, e aí, de repente, vem a melodia. Muitas vezes vem a música inteira e eu fico esperando a inspiração. Não tem uma formula certa, não. São várias as maneiras.

 

  • Nesse sentido, esse seu estilo de vida cidadão de mundo, de baiano que mora no Rio, enfim, essa comunicação com o mundano é determinante para sua obra?  Quais as cidades mais fascinantes em nível de cena musical?

 

Olha, desde adolescente eu sempre tive essa vontade de sair de Salvador. Eu tinha muita vontade de conhecer o mundo, sempre foi uma coisa muito forte em mim e que eu não tinha certeza se ia rolar, mas eu tinha uma intuição de que ia. Talvez porque eu quisesse muito, não sei. Agora, sobre as cidades: eu acho que São Paulo tem uma cena incrível...Todas as bandas do Brasil vieram pra cá, então é uma cena forte. Belém também tem uma cena bem boa, Chicago tem revelado boas bandas. Londres é uma terra bem fértil, e a África no geral também, é claro.

 

  • Em relação à produção agora, podemos dizer que esse disco está mais orquestrado que o "Sem nostalgia”. Quanto mais mãos e mais timbres, mais fragmentado é o processo de criação da música?

 

É. hoje em dia é bem fragmentado. Antigamente, você gravava um disco inteiro tocando ao vivo. Hoje, você grava, regrava, ouve e escolhe um pedaço que é bom. É como se a música tivesse se aproximando cada vez mais do cinema. Você filma, filma e depois vai montando a música na hora da edição, o que faz o trabalho de pós produção ser tão grande quanto o de gravação... e o fato de muitos participarem nos leva para vários lugares No caso de uma banda, de um artista solo como eu, você convida as pessoas sabendo o que elas fazem bem. Escolhe a pessoa que vai catalisar para que fique melhor ainda, pois você sabe também que a música é a cara dela.

 

  • O músico independente hoje parece dividir espaço no mp3 com todo o acervo musical da história da humanidade. Nem todo mundo tem esse tempo para estar sempre pesquisando e consumindo o que há de novo. Embora a internet abra esse canal de procura, o que falta ainda para o artista independente popular se tornar mais acessível?

 

Então, na verdade no Brasil uma coisa que é muito forte é a rádio. E é uma coisa que minha geração não teve, porque a radio era bem comercial, sempre com um jabá muito caro, que hoje em dia já é espaço publicitário...Tem nota fiscal e tudo, de modo que talvez isso mude daqui algum tempo. A internet também ajuda muito. Por exemplo, as pessoas vão no show e cantam minha música porque ouviram na internet. Agora, o poder da rádio é bem maior, e talvez falte um veículo com esse poder de comunicação para que essa geração possa falar com mais gente ainda.

 

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30.10.2013
S4T ENTREVISTA OGI

Representando a nova safra de artistas do rap nacional,  Rodrigo Ogi, assim como Criolo e Rael da Rima, vem se destacando na cena independente pela melodia de seus versos,  sem deixar de lado a densidade narrativa da sua poesia urbana. O músico, que lançou em 2011 o acladmado álbum " Crônicas de uma  Cidade Cinza",  exerceu seu papel de MC ao animar a galera na Sala Guiomar Novaes. Logo após seu show, aproveitamos para trocar uma  idéia com o rapper:

 

 

  •    Então Ogi, se a gente não está enganado, você está no rap desde 94 e além de Mc, você também é pichador. Conta para gente sobre esse percurso, como começou sua carreira e tudo mais?

 

É..eu não tenho certeza, mas se não me falha a memória o primeiro rap que ouvi foi do Thaíde em 89. Foi o irmão do meu ex DJ, Big Edy, que já curtia rap e apresentou pra gente. Eu achei bacana mas não entendia, não sabia definir se era funk, se era rock, naquela época as pessoas não sabiam direito dar nome para aquilo que estava sendo feito, de modo que só fui entender que aquilo era rap quando ouvi o Holocausto Urbano dos Racionais. Lembro que a gente jogava bola ali no campino do Jardim Celeste na Zona Sul, e uns caras lá levavam a fitinha e deixavam rolando no radinho, ai eu comecei a arriscar a fazer umas letras brincando, e em 93 eu arrisquei um grupo com esse cara que é DJ e amigo meu, o Big Edy. Participamos de alguns festivais e o rap naquela época não era muito bem aceito. Era estranho: você podia ser branco e favelado, mas não importa, você não era muito bem aceito.

  •  E qual era sua postura em relação a tudo isso?

 

Eu achava que isso era errado. Sempre achei que o rap era uma música pra ser livre e tão popular quanto sertanejo na época, mas aí eu garoto acabei me desiludindo até mesmo porque eu tendia muito para o rock, Aí eu acabei dando um tempo no rap quando comecei a fazer pichação. Comecei a pichar em 95, tanto que meu piche é um negócio que tem ater a ver com   hip hop. Só depois lá para o ano 2000, quando eu vi o Espião rimando eque eu voltei a me empolgar a escrever letra. Rolou aquela identificação, eu fui voltando e em 2002 formei o Contrafluxo com o Mascote, o Dejavu Dj Wiliam e Munhoz, Fui construindo minha carreira, trabalhando e acreditando no rap e tamos aí até hoje. Aliás, uma curiosidade, aqui foi o meu primeiro show cara!

 

  • Como foi, como era esse espaço naquela época?

 

Lembro que o show foi bom pra caramba, tava cheio pra caramba mas não lembro mais se existiam essas cadeiras. O que eu posso dizer é que a cena do rap mudou muito de 2002 pra cá. Hoje em dia a cena tem muito mais gente do que a 8 anos atrás. É algo muito mais aceito e bem visto. Tem uma molecada nova até mesmo de classe média alta fazendo, e, sinceramente, acho isso importante à vera. Rap é música, cada um tfaz seu estilo. Fazer rap é que nem fazer rock, samba...

  •  E como você pensa essa inserção do rap na boate: a crítica e a voz da rua estão se perdendo?

 

Rap é música como qualquer outra, tem que tocar em qualquer lugar.Vai do ouvinte escolher o que ele quer ouvir e o que não quer. Vou te dizer uma coisa: meu DJ acabou a abandonar o rap. Quem do rap veio dar alguma coisa pra ele agora? Se você não faz o som com o mainstrem, perde várias oportunidades de fazer uma amizade nova, crescer musicalmente, passa o tempo e você não fez nada no final porque ficou só naquele nicho, sacou?

 

  • O rap hoje é mais movimento ou mais mercado?

Tá virando mais mercado, mas ainda tem movimento. Rola muitos saraus, tem a Cooperifa por exemplo. Tem muita gente fazendo coisa na periferia, embora o funk seja o som que tá mais dominando né? Acho que a crítica e a contestação tem que continuar, mas a festa é necessária também, as coisas não.

 

  •   Falando em festa, o seu som chega a ser bem melódico para rap. Quais foram as suas referências para chegar nessa fórmula?

 

 Eu escuto muito som e música brega desde criança, sempre fiz muita parodia, enchia o saco dos outros. Foi uma coisa que eu peguei fácil, afinação. É muito difícil citar minhas referências de rap pois são muitas, mas fora do rap eu ia nessa linha brega de Reginaldo Rossi, bebi muito do samba de raiz também.

 

  •  Aqui em SP, quais lugares você gosta de colar para curtir um som?

 

Cara, eu não tenho saído muito para balada não, mas eu gosto muito ali do bar do Alemão na Avenida Antártica, que só toca sambão de raíz. Gosto também da festa “Chocolate” que é bem bacana, e hoje em dia existem muitos saraus e som de rap em qualquer esquina.

  

  • Para fechar: São Paulo é sempre cinza?

 

Acho Sp linda. Hoje, por exemplo, passei em cima de uma ponte, e dava pra ter a vista inteira de mó paisagem urbana, e é isso que me inspira. Tem gente que acha aqui uma merda, mas eu não conseguiria sair daqui não. 

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24.10.2013
S4T ENTREVISTA PROJETO AXIAL


Fazendo jus ao eixo “Música, suas Sínteses e seu Novo Som”, o Projeto Axial abusa do experimentalismo ao produzir um som de fácil apreciação, mas de difícil definição. Trip Hop, Eletro Rock e MPB são tags que ajudam mas não catalogam essa obra hiper sensorial assinada pelo cantora Sandra Ximenez e pelo produtor Felipe Julián, que nos concedeu a entrevista:

 


• O Projeto Axial nasce de qual necessidade?

 

Foi o desejo de trabalhar num hibrido de música eletroacústica com música tradicional brasileira. Foi também a necessidade de buscar novos caminhos para a canção. Novos caminhos que mais do que dar mais tempo de fôlego à esse gênero, o expandissem de forma que ele se torna-se mais permeável à outras interações. E, por fim, foi também fruto de nossa paixão pelas artes visuais e nosso desejo de transferir para a música certos aspectos da escultura, instalação, performance, etc.

 

 

• Por que vocês se consideram um Projeto e não uma banda? Isso se dá pelo fato de produzirem música eletrônica ou tem outra explicação?


Entendemos que atuamos como banda quando estamos no palco e como coletivo de produção fora dele. Fazemos muitos trabalhos de trilha sonora, instalações, vídeos, etc. Portanto não nos resumimos a uma banda. Por outro lado, estamos em constante e ininterrupta recriação de nós mesmos. Quem nos viu em 2003 não imagina o que estamos fazendo em 2013. Aliás, quem nos viu o ano passado pode se preparar para uma experiência nova quando nos assistir novamente. Portanto, consideramo-nos em constante recriação de nós mesmos. Somos um projeto e não o produto em si.

 

 

• Geralmente quando pensamos em música eletrônica, vem de imediato a ideia popular de uma música voltada para festa e para a experiência em ambientes agitados. No caso do experimentalismo do Axial, vocês acabam rompendo com esse paradigma, trazendo muitas outras possibilidades, sobretudo uma bagagem de músicas tradicionais de raiz. Como acontece essa síntese de linguagens e sonoridades?


Pensar que música eletrônica é aquela da pista de dança é um equívoco. A música eletrônica existe desde o estudo N2 de Stockhausen ou das primeiras colagens dos concretistas Pierre Shaeffer e Pierre Henry. Portanto a música eletrônica vai muito além da pista. Na verdade sua chegada na pista é o momento em que ela entra no fluxo criativo da música popular. Nós do Axial temos influência de todos esses gêneros da música eletrônica. Não apenas da popular. Não apenas da erudita. O nosso parâmetro é o trabalho em cima do abstracionismo sonoro. Gerar experimentos cognitivos. Vivências sensoriais que aproximem o ouvinte de uma experiência que Manoel de Barros definiu como “Infância da Língua”. E nesse sentido, tanto a música dançante quanto a música contemplativa nos servem de matéria prima, modelo e inspiração.

 

 

Nesse contexto de globalização, de forte hegemonização cultural, ressignificar a música tradicional através do experimentalismo eletrônico acaba sendo uma estratégia de fortalecimento das culturas locais?

 

É pra ser rápido aqui? Rsrs. Bem, certamente é. Mas também é importante entender que essa opção por utilizar algumas canções tradicionais tem relação com uma empatia estética sem explicação alguma. Gostamos e ponto. Mas não deixo de me sentir responsável pela ressignificação que o uso desse material passa a ter nos dias de hoje. Então... sim, esse uso acaba lembrando às pessoas que existe uma fonte de onde essa matéria prima surgiu. E essa matéria prima tende a se esgotar se não proteger-nos essas fontes. Por isso acreditamos numa postura preservacionista. Nunca conservacionista!

 

 

Qual é o grande trunfo da música eletrônica? É justamente essa capacidade de experimentar e trabalhar com diversos timbres manipulando apenas um computador?

 

Na minha opinião é ter devolvido à musica sua essência: o abstracionismo, a intangibilidade. Vivenciar a experiência sonora é um processo que vai de encontro à questões muito primitivas do ser humano. A audição é o primeiro sentido a se desenvolver ainda dentro do útero materno. É o único sentido omnidirecional. É o único sentido que permanece ligado memso quando dormimos. A audiçõa é muito muito muito primitiva e portanto está ligada à nosso ser animal ainda. A canção tradicional (MPB, Rock, Jazz) embutiu pesada bagagem semântica nessa experiência e a distanciou desse primitivismo. A música eletronica e seus vetores nos permite recuperar esse elo

 

 

• Como é a cena de música eletrônica experimental no Brasil?

 

Crescente. Interessante. Cheia de talentos. Com pouca grana.

 

 

Vocês nesses 10 anos de banda sempre buscaram pensar em novas possibilidades de distribuição, no desenvolvimento de aplicativos, visando fortalecer a ideia de compartilhamento de cultura livre. Observando esse período de reconfiguração da indústria nas novas redes, vocês são otimistas e acreditam que a comunicação tende a democratizar ainda mais?

 

Fomos otimistas durante quase todo esse tempo de história do Axial. Infelizmente tenho que admitir que desde 2010 para cá, o que estamos vendo é o capitalismo cooptar a Internet definitivamente. O modelo Itunes de negócio está vencendo todos os demais porque as pessoas ainda acreditam que o mercado é a única solução. As pessoas ainda acreditam no mercado. Mas equivocam-se ao supor que mercado e indústria convivam em harmonia. O Itunes não é mercado. É indústria. E portanto, assim como Facebook, assim como Google, assim como YouTube, tendem ao monopólio. E, estando sediados nos EUA, logram esse monopólio. Os americanos investem nessas plataformas mesmo que elas não produzam retorno durante muitos anos. Essa é a lógica da indústria. Não do mercado. Lamentavelmente o Brasil, apesar de ser um ninho de gente genial, livre e hacktivista, depende desse vínculo com a indústria para obter lucro. Afinal, o mercado brasileiro de música (só de música?) foi massacrado após os anos 70 pela tal indústria fonográfica. Pra entender o que ocorreu com a música no Brasil e no mundo sugiro assistir o documentário Mondo Vino. Ele conta essa mesma história que agora está ocorrendo com a produção artesanal de vinhos. É a globalização unilateral. Nesse filme assim como no Brasil, veremos a máquina industrial passando como um rolo compressor na produção artesanal e cooptando uma das categorias que eu considero principal responsável pelos problemas que temos hoje: jornalistas. Infelizmente, jornalistas precisam comer e pagar as contas e por conta disso tendem a vincular-se com "cases" bem sucedidos industrialmente pois assim garantem a sustentabilidade de seu negócio a longo prazo. A lógica da relevância é um filtro perverso pela qual os jornalistas se lançam sem medir consequências. Estou certo de que os jornalistas não são conscientes disso. Mas deveriam ser. Pois voltaram a agir, em plenos anos 2010, em plena transição da massmedia para cibercultura como agiam na década de 80 e 90: produzem uma relação simbiótica onde são favorecidos à medida que favorecem. Com isso temos uma distorção séria da realidade da produção cultural brasileira. Erro que, para ser minimamente reparado, custa à Funarte, ao Governo, à Petrobras e aos demais investidores uma pequena fortuna.

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