15.10.2013
S4T ENTREVISTA MY NAME IS MARY

A paranoia martelante de “My Name Is Mary” estreou o quadro “Música e Pensamento” no S4T ao som sujo e nervoso das guitarras distorcidas. Com um EP lançado, a banda resgata a atmosfera garage e a atitude visceral do punk rock dos anos 70. Após o show, conversamos com o guitarrista e vocalista Raul Lorenzeti, que irá mediar as mesas do ciclo de debates até dezembro. Saca só:

 

• Como começou a banda e como vocês pensam o espaço em relação à oferta cultural da cidade?

 

O encontro se deu a partir do interesse em fazer música, expressar alguma coisa e também de estar próximo e vivendo com pessoas que fazem parte de uma cena. O Fepas (baixista) já levava um som comigo e o Guilherme era um amigo de faculdade que eu descobri que tocava bateria, a gente se juntou e deu liga. Quanto à cena cultural em São Paulo, acho que as bandas necessitam de uma articulação maior no sentido de criar espaço. As coisas estão muito nas mãos de produtores, de donos de casa, mas não existe de fato uma emancipação do independente. Você não é tão independente assim quando está ali dentro de uma disputa com atores que tem um poder muito maior, tanto de capital simbólico quanto financeiro. As pessoas não chegam nos lugares, existem muitos problemas de mobilidades urbana e a zona oeste concentra a maior parte das coisas. Se não estou enganado, São Paulo é a quarta maior capital do mundo e as pessoas não conversam. Circular é necessário.

 

• O que seria essa independência então no contexto da música atual?

 

Conseguir circular cada vez mais dependendo das próprias pernas. Historicamente, o independente está ligado aos caras que querem fazer seu som mas tem suas outras atividades para pagar seu aluguel. Eu, por exemplo, trabalho como editor, o Gui trabalha como analista, o Fepas trabalha como fotógrafo... todo mundo acaba tendo uma segunda, terceira ou quarta função ali dentro. Acredito que a emancipação está no sentido de conseguir estruturar cenas, circuitos e ter uma cadeia produtiva que não dependa de incentivos públicos, porque a política cultural no Brasil condensa várias coisas e não somente a música independente. A cena na Inglaterra se desenvolve muito pelos bares que não cobram a entrada. O dono do bar ganha em cima do dinheiro do bar e em SP não existe um modelo de circulação, afinal só de entrar num espaço às vezes você já gastou 15 conto ou mais. No fim das contas, você tá sempre alugando espaço e pagando metade da bilheteria. Em relação à lei Rouanet, vejo um problema muito grande pois ela não incentiva a criação de uma cadeia... O Benjamin Taubkin do núcleo de música costuma dizer que a classe cultural vendeu a cultura muito barato e ainda disse muito obrigado: inflacionou um circuito e implementou a dependência de você enquadrar um projeto dentro de uma lei. Ou seja, se acaba a lei, não existe uma cadeia fortalecida.

 

• Como você pensa os mecanismos de divulgação e visibilidade da banda?


A internet propicia novas maneiras de dialogar com o publico, mas ainda gira em volta da lógica do Facebook e do Google, enfim, tudo relacionado à forma de se procurar. Ela está inundada de conteúdo, mas para se fazer visível é muito difícil. Existe sim a facilidade de circulação em um meio pequeno, porém as bandas ainda têm que circular fazendo show e pegando pesado no ao vivo como sempre foi... Existe alguns festivais independentes que estão se criando e tudo mais, no entanto ainda é difícil rodar o Brasil no geral. Não existe o interesse de você ir e divulgar o seu trabalho ou constituir mecanismos que girem em torno disso. Se você for fazer uma turnê e chegar numa segunda-feira, você não toca em lugar nenhum. Não existem espaços constituídos para circulação. Não existem projetos por parte da prefeitura, do governo estadual ou federal que são feitos pra isso. Tudo vai da sua capacidade de captar recursos ou do seu network e tudo mais.

 

Aqui na ocupação do S4T, a “My name is Mary” está dentro do eixo “Música, suas novas sínteses e o novo som”, e é muito curioso porque a banda de vocês é uma referência direta ao punk cru de riffs primários dos anos 70 e tal. Como você entende a reconfiguração de todo imaginário de uma época a partir de novos elementos e estruturas?

 

Sem querer essa de emular o espírito de um tempo, eu acredito que existe sim uma releitura em cima disso tudo, principalmente por acreditar que um dos códigos dos anos 70, dessa podreira e tal, é dar voz a um sentimento primário e isso é uma coisa eterna que não fica datada.. Nesse sentido, eu acho que a novidade no projeto estético da banda está muito mais nos conteúdos de divulgação, em fazer os vídeos e também na atitude de levar o nosso som. Eu fico muito feliz e realizado quando a molecada nos escuta até mesmo tocando em lugares sem estrutura, e leva adiante se estimulando a fazer seu som, tocar sua guitarra ou fazer seu beat. Não é um estimulo que parte do Faustão, mas sim um estímulo que parte de uma banda podreira, de uns moleques que tão ali tocando e se divertindo. Acredito que essa é a verdadeira atualidade à nível de estética.

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15.10.2013
Projeto ENCAIXA seleciona projetos culturais para 2014

O projeto “Encaixa” recebe propostas de vários segmentos culturais para desenvolvimento de sua programação no ano de 2014 em parceria com o Espaço Telezoom, localizado no Humaitá. Para esta primeira edição, o edital recebe inscrições de grupos culturais, artistas e estudantes ligados às áreas de música, cinema, literatura e artes cênicas, interessados em se apresentar no espaço cultural. Outras ideias também podem ser sugeridas.

 

         Os interessados têm até o dia 17 de novembro para inscreverem suas propostas, preenchendo um formulário simples e enviando para o e-mail da produção. O resultado completo será divulgado no dia 19 de novembro. As apresentações estão previstas para começar em janeiro e fevereiro de 2014.

Acesse o edital clicando no site oficial do projeto: www.projetoencaixa.com

 

O que é o Encaixa?

          “Encaixa” é um projeto desenvolvido por jovens realizadores culturais e criado com o intuito de promover atividades de reflexão e integração artística envolvendo o audiovisual, a música, as artes cênicas e outras áreas culturais na formação de redes de articulação e comunicação. O principal objetivo é gerar conhecimento a partir de trocas dinâmicas e interculturais, promovendo um verdadeiro intercâmbio cultural de ideias e conexões.

         Um dos objetivos primordiais do Encaixa é, também, criar um espaço de discussão e reflexão em torno da tecnologia e das novas mídias, propondo diálogos e experiências importantes que revelem um futuro totalmente interativo e, ao mesmo tempo, complexo, onde cada um de nós busca respostas para o lugar que ocupamos no mundo.

 

SERVIÇO:

Informações:

Manuela Asevedo

projeto.encaixa@gmail.com

www.projetoencaixa.com

(21) 3497-7622

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03.10.2013
S4T ENTREVISTA TONI FERREIRA

Como e quando começou sua carreira?

 

Eu comecei trabalhando com meu pai. Ele tem uma banda cover do Kiss, aí comecei ajudando no backstage, carregando cabo, fazendo maquiagem do Gene Simmons nele... Depois passei a tocar em bar, conheci uma galera que fiz parceria e me ensinou muita coisa, vieram conquistas mais concretas como a participação no DVD da Maria Gadu...

 

E em relação ao processo de formação musical em si, você chegou a estudar em alguma escola?

 

Eu sempre fui autodidata e também aprendi muito com meus amigos. Eles são meus professores junto com meu pai, que me ensinou os primeiros acordes. Até cheguei a fazer umas duas aulas de canto, mas acabou que eu não levei em frente.

 

Você passou boa parte da sua carreira tocando em bares, né? Geralmente, as pessoas esperam que o músico de bar toque músicas cover, de modo que é difícil encontrar artistas autorais nesses espaços. Você percebeu uma mudança muito significativa na relação com o público quando começar a cantar em palcos maiores?

 

O normal para quem toca em bar é tocar a noite inteira. Eu, quando tocava com meus amigos, fazia um show mais enxuto mesmo justamente para tocar só que a gente gostava. Dificilmente tocávamos músicas batidas ou músicas voltadas somente para agradar o público. A gente fazia esse show mais curto para arriscar também composições autorais e tal. Comecei ali nos bares da Vila Mariana, depois fui tocando na Joaquim Távora, Vila Madalena, Moema...

 

Você está inserido na programação dentro do eixo Música, Suas Novas Sínteses e o Novo Som, no entanto, o seu disco homônimo apesar de experimentar e misturar com diversos gêneros traz bastante o minimalismo da MPB dos anos 70. Como você entende esse processo de ressignificação do passado para criar o novo?V

 

Todo mundo tem uma referência assim, né? Acho que tanto na música quanto na vida, seja essa referência boa ou ruim. Você sabe que aquilo é seu caminho. Eu, por exemplo, tinha umas coisas que fui trazendo pra mim, e geralmente eram coisas mais silenciosas, sabe? O CD “Cinema Transcendental” do Caetano é um disco que respeita muito essa questão do silêncio e que eu me encontrei muito ali nesse minimalismo. É uma coisa que eu gosto e que quis trazer para o meu trabalho.

 

Existe alguma cena cultural específica da qual você faça ou se sinta parte? Quais artistas da geração você tem parceria?

 

Eu gosto de muita coisa nova e é difícil lembrar todos, mas eu destaco aí meus amigos do 5 a Seco,Pélico, Playmobile, Dani Black, Maria Gadu...

 

Na música “Reflexo de nós”, você versa sobre o “tempo vagabundo que escolheram para você nascer”. Na atual conjuntura política, com todas as mobilizações populares que tem ocorrido nos país, como você enxerga toda essa crise de representatividade que nós temos vivenciado? Você tem essa dimensão política da sua música?

 

Política assim não. Não tenho mesmo. Sou apenas um interessado pelo assunto e tenho um pouco de preguiça para algumas cosias dentro da política e prefiro não entrar muito nesse campo. Claro que eu tenho diversas insatisfações sociais em relação a desigualdade social, violência, mas eu tento colocá-las em uma dimensão mais subjetiva dentro da minha música.

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30.09.2013
CCJF estreia a exposição “TILT” de Robson Macedo

TILT faz do espectador um agente determinante do processo e da ação artística

 

Centro Cultural Justiça Federal estreia no dia 02 de outubro (quarta-feira) a exposiçãoTILT, de Robson Macedo. Em seu novo trabalho, o artista cria pontes entre o real e o virtual. Ao mesmo tempo em que seus trabalhos incorporam uma determinada tradição do objeto cromático, o artista direciona a sua ação para o embate cromático e virtual das telas de um computador. Evidenciando o impacto inegável da cibernética na sociedade moderna e nas diversas manifestações da arte contemporânea.

 

O termo TILT, a priori, era utilizado para o travamento de máquinas de pinball e, em seguida, foi incorporado à linguagem dos computadores. A partir daí, surgiu sua coletânea de obras advindas de um ‘’erro’’ inicial, onde o artista constrói artefatos que atuam na margem entre o objeto pictórico e o objeto tridimensional, sendo construído através de técnicas mistas de pintura, colagens e espelhos sobre um suporte de madeira confeccionado de forma a enfatizar um TILT na estrutura da história da pintura.

 

Com curadoria de Marcus de Lontra Costa, a exposição é composta de obras que buscam atuar como um caleidoscópio de imagens definidoras do concretismo, e ao fragmentá-las através do espelhamento e da velocidade intrínseca do suporte virtual, Robson cria uma relação instigante entre os mistérios que cerceiam sensibilidade e razão, explicitando o entendimento de uma dualidade essencial nos desafios que arte e ciência propõem.

 

Desta maneira, Robson faz com que o espectador crie sua própria perspectiva e enxergue através de uma ótica própria. Estimula a reflexão sobre a dialética do ser e do estar, e assim permite que cada um seja um agente determinante no processo e na ação artística, transformando tal participação numa provocação e experimentação estética.  A exposição fica em cartaz até o dia 17 de novembro.

 

 

Exposição Tilt no CCJF

Abertura: 02 de outubro

Período: 03 de outubro a 17 de novembro

Local: Centro Cultural Justiça Federal

Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro

Informações e visitas orientadas – Tel. (21) 3261-2552

Horário: terça a domingo, das 12h às 19h

Entrada franca

Classificação: livre

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20.09.2013
Festival Satyrianas 2013 recebe inscrições

Estão abertas as inscrições para o festival Satyrianas 2013, que acontecerá de 14 a 17 de novembro e reunirá diversas intervenções na Praça Roosevelt, centro da cidade de São Paulo.

Quem tiver projetos de dança, teatro ou sessões de cinema e queira integrar a programação deve solicitar a ficha de inscrição enviando um e-mail para fichasatyrianas@gmail.com, até o dia 30 de setembro.

A última edição das Satyrianas teve público recorde. Pelo menos 45 mil pessoas passaram pela Praça Roosevelt, onde estavam concentradas as mais de 300 atrações do evento.

Neste ano, Os Satyros celebram 25 anos de existência e estimam receber público superior.

 

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19.09.2013
Projeto Som em 4 Tempos invade São Paulo

Entre os meses de setembro e dezembro, a sala Funarte Guiomar Novaes abre suas portas para aqueles que veem na música seu potencial artístico e transformador. O projeto Som em 4 Tempos, que inicia suas atividade dia 27 desse mês, apresenta a relação entre o tempo e a música, com foco na importância musical para a cidade de São Paulo.

 

Valorizando a música do passado e do presente e refletindo para o cenário musical futuro, Som em 4 Tempos conta com 37 atrações – entre shows, eventos especiais e oficinas –, dividas em 4 eixos que organizam a programação: “Música, suas sínteses e o novo som”; “Música, memória e nossa cidade”; “Música, drama e suas narrativas” e “Música, multicultura e outros diálogos”.

 

O projeto está vinculado à importância cultural da sala Guiomar Novaes. Primeiro palco musical da Funarte em São Paulo, reuniu importantes personagens da vanguarda paulista entre os anos 70 e 80. Por lá passaram artistas como Itamar Assumpção, Língua de Trapo e Arrigo Barnabé, que volta ao espaço integrando a programação do Som em 4 Tempos.

 

Promovido pela Burburinho, em seu mês de estreia em São Paulo o evento recebe artistas como Apanhador Só, Céu, Bonde do Rolê e Tatá Aeroplano, além do encontro “Música e Pensamento” e da oficina de DJ “Musiqueduque”. A programação acontece aos finais de semana e todos os shows custam R$10 (meia-entrada R$5), debates saem a R$2 (meia-entrada R$1) e oficinas são gratuitas.

 

Serviço

Evento: Som em 4 Tempos

Local: Sala Funarte Guiomar Novaes

Alameda Nothmann, 1058, Metrô Santa Cecília

Telefone: (11) 3662-5177

Preços: Shows R$10 (meia R$5)/Eventos R$2 (meia R$1)/Oficinas gratuitas

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12.09.2013
Unesco abre editais para residência artística

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) está com edital aberto para concessão de bolsas no âmbito do programa “Unesco-Aschberg para Artistas”, que promove a mobilidade dos jovens por meio de residências artísticas no exterior.

O edital é aberto a artistas plásticos, escritores e músicos entre 25 e 35 anos de idade.

 

Acesse aqui a lista de bolsas disponíveis para 2014, com as informações completas sobre os procedimentos e os prazos de candidatura para cada área.

 

 

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06.09.2013
Rumpi Mondé

A produtora multicultural Mondé Produções-Publicações lançou nos últimos dias o filme Rumpi Mondé, um curta que utiliza o diálogo hipnotizante entre música e imagem para narrar a história de um jovem imerso nas ruas do Rio de janeiro confrontado por flashbacks de suas antigas tradições.

 

- Bem, a música no filme é mais do que um fundo , fizemos um filme com uma trilha sonora , não uma trilha sonora para um filme. A música é o movimento , e as batidas do coração são o primeiro som e movimento que todo mundo tem . O ator Gabriel Brands entendeu completamente e ele sentiu isso, e fez o seu caráter uma grande performance- explica Gabriel Marinho, diretor musical e produtor executivo do filme.

 

 

 

FICHA TÉCNICA:

 

Produção Executiva: Mondé Produções - Publicações

 

Roteiro: Gabriel Marinho, Kauã Vasconcelos, Vladimir Ventura

 

Direção de Cena e Fotografia: Kauã Vasconcelos

 

Arte Gráfica: Vladimir Ventura

 

Assistência Técnica: Dreams Studios

 

Câmera: Luyz Carlos Cooper / Kauã Vasconcelos

 

Videografismo, Montagem, Finalização e Imagens Adicionais: Renato Vallone

 

Direção Musical e Trilha Sonora: Gabriel Marinho

 

Still: Luyz Carlos Cooper

 

Atores e Atrizes: Gabriel Brands, Gabriel Hildenbrand, Camila Peres, Victoria Lucato Haddad.

 

Assesoria de Imprensa: Viviane Laprovita

 

Direção Geral: Gabriel Marinho, Kauã Vasconcelos, Vladimir Ventura

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