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Instabilidade na secretaria e os rumos da Cultura

Instabilidade na secretaria e os rumos da Cultura

A atriz Regina Duarte deixou a Secretaria Especial da Cultura depois de 77 dias no cargo, ela foi a 4ª titular da pasta da Cultura do governo Bolsonaro. Regina vai cuidar da memória da produção audiovisual no país na Cinemateca Brasileira em São Paulo.

Como de praxe no atual governo, não fazer o que o comandante quer, termina em divórcio.

Apesar da promessa de carta branca, a secretária teve desgastes com o governo por nomeações que fez, com nomes que foram vistos com desconfiança por não se alinharem ideologicamente ao governo.

A dificuldade em exonerar certos nomes também gerou atritos. Um deles foi o do maestro Flávio Mantovani, que presidia a Funarte, e que havia feito declarações ligando o rock ao aborto e ao satanismo.

No mesmo dia em que ela assumiu a Secretaria da Cultura, em março, exonerou o maestro. Mas, dois meses depois, foi renomeado na presidência da Funarte pela Casa Civil, sem o conhecimento da então secretária.

Regina vinha lidando com as críticas da ala ideológica do governo e também do próprio meio artístico. Nenhuma medida de peso veio para socorrer um setor atingido em cheio pela crise do coronavírus e o  descontentamento da classe artística aumentou mais ainda depois da entrevista à CNN Brasil, quando Regina minimizou a tortura e as mortes da ditadura.

A ex-secretária acabou demonstrando falta de habilidade e de interlocução com a classe artística, mas o que realmente preocupa é por vir.  As incertezas nas políticas de incentivo à cultura do governo trazem um obscurantismo para o setor da cultura. Infelizmente, sabemos, que este será um longo período de recessão de impactos historicamente nunca vividos pela cultura nacional.

Com as políticas culturais, com os ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira alcançamos 1.100 municípios, com 3.500 pontos de cultura – a maioria em favelas, aldeias indígenas, assentamentos rurais, periferias de grandes cidades a pequenos municípios, atuando desde o campo da cultura popular e de periferia à arte de vanguarda e ao software livre. 

Política pública que se disseminou pela América Latina, com reconhecimento de diversos governos e do papa Francisco. Hoje, há Pontos de Cultura em 17 países. 

A indústria audiovisual se consolidou no país e o Brasil foi um dos principais artífices da política de diversidade da Unesco. Foi criado o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).  Enfim, muitas iniciativas resultaram em um conjunto de políticas inovadoras.

Desde o governo Temer, o ministério já vinha em um processo de grande enfraquecimento. Houve a desmontagem do programa Cultura Viva e o audiovisual foi marcado por uma política errada da direção da Ancine (Agência Nacional do Cinema) por exemplo.

O governo Bolsonaro combina um ultraliberalismo econômico com um ultra conservadorismo moral e comportamental, além da entrega total das riquezas nacionais a uma pequena parte da sociedade. A Cultura vem repetindo esse padrão. 

No enfrentamento da gestão Bolsonaro e da pandemia apesar das incertezas, intempéries e desmandos nos resta trabalhar com muita criatividade, arte, afeto e proximidade com o povo.  

A Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, que propõe a liberação de mais R$ 3 bilhões designados pelos mecanismos nacionais de cultural como forma de apoio emergencial ao setor de arte e cultura deve ser entendido como a oportunidade de iniciar o caminho da reação da Cultura.

É de cultura que a povo precisa para atravessar a crise e se fortalecer como sociedade.

Por |2020-07-30T12:07:05-03:0021 junho 2020|Uncategorized|0 Comentários

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