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Resistência Cultural na Baixada Fluminense

Resistência Cultural na Baixada Fluminense

A região é composta por 13 municípios: Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo, Queimados, Mesquita, Magé, Guapimirim, Paracambi, Japeri, Itaguaí e Seropédica. 

A Baixada Fluminense vem se consolidando ao longo de décadas com problemas sociais, habitacionais, educacionais e de segurança pública. As cidades da região surgiram e cresceram de forma irregular, sem planejamento, e os governos não conseguiram garantir serviços públicos para toda a população.  Não apenas faltam serviços públicos, mas os que existem não têm qualidade.  

A pobreza se traduz na ausência de um conjunto de direitos como renda, habitação segura, escolaridade com aprendizagem, segurança familiar e comunitária. A desigualdade é perceptível na dificuldade de acessar serviços públicos e emprego. A Baixada soma pobreza e desigualdade. E, sem dúvida, um dos piores resultados dessa equação é a violência.

A Baixada Fluminense depende de uma atitude de resistência para existir. 

Desde a década de 90 artistas, coletivos e instituições se organizam em movimentos e promovem a prática de redes e colaboração para criar um circuito cultural independente, diverso e pulsante. Desde o pioneirismo em TV comunitária no mundo, até o original circuito cineclubista e uma crescente produção documentarista nos dias de hoje.

Agora, mais do que nunca, já que a pandemia do novo coronavírus provocou um abalo estrutural em todo o setor cultural no mundo, e de forma ameaçadora para a cultura no Brasil.

A população de baixa renda será a mais atingida pela crise econômica e isso inclui a cultura tanto do ponto de vista de quem produz como de quem consome, ou ao menos deveria ter condições de consumir cultura.

Apesar disso, ou acima disso, a cultura permanece lutando para ocupar um espaço de respiro e resistência.

O Museu Ciência e Vida por exemplo, participou da 14ª Primavera dos Museus, em setembro, com transmissão pelas redes sociais do espaço, que é vinculado à Fundação Cecierj.

A cena musical envolve diversas expressões artísticas, indo do chorinho iguaçuano ao funk de Duque de Caxias, passando pela MPB (Música Popular da Baixada), pelo jazz, pelo samba (segmento que tem duas agremiações no Grupo Especial carioca) e outros estilos.

Nem todos os gêneros musicais têm destaque no chamado mainstream, como o trap, por exemplo, cujas letras explícitas e conteúdo menos convencional mantêm o estilo num espaço diferente de gêneros como o pop, o pagode, o sertanejo e o axé. 

O produtor musical Deluna criou a playlist ‘Hits da BXD‘, que é aberta a todos os gêneros musicais, mas foi abraçada especialmente por artistas do trap e do rap – universo bem conhecido por Deluna, que trabalhou na produção da Roda Cultural de Mesquita, um dos encontros mais conhecidos do Rio de Janeiro para fãs destes gêneros.

Com o projeto Olho de Belize, a escritora meritiense Mariana Belize, oferece visibilidade aos produtores da literatura da Baixada Fluminense e combate a homogeneização das, de acordo com Mariana, figuras que sempre são apresentadas através de fragmentadas entrevistas ou como um bloco único. 

É da baixada também o Sarau Donana, em Belford Roxo, que promove a mistura de poesia, dança, capoeira, folia de reis, funk, reggae, rock, rap, entre outras manifestações artísticas. 

Em breve espera-se o retorno dos eventos presenciais como o Sarau Donana, reabertura da Biblioteca Cial Brito, reabertura do Teatro Raul Cortez e da reaproximação com outros campos artísticos da Baixada. Para que a cultura sobreviva e permita aos moradores da região desfrutar do que de fato lhes é de direito. 

Por |2020-10-27T11:57:54-03:0025 outubro 2020|Uncategorized|0 Comentários

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